Reunião mobiliza produtores de mamona no Oeste Baiano

Créditos: Jocelmo Ribeiro | Embrapa Algodão - Reunião mobiliza produtores de mamona no Oeste Baiano
Créditos: Jocelmo Ribeiro | Embrapa Algodão

Produtores de mamona da região de Ourolândia, no oeste Baiano, iniciaram o ano correndo atrás de informações técnicas estratégicas para incrementarem suas atividades agrícolas com informações da Embrapa. Cerca de 90 agricultores irrigantes participaram de reunião promovida sobre a cultura no último dia 11. Durante o encontro, os participantes conheceram uma unidade demonstrativa com a cultivar BRS Energia, que tem apresentado bom desempenho na região, com produtividade acima da média.

“A BRS Energia obteve produtividade de três mil quilos por hectare em sistema irrigado, enquanto a média da região nos últimos cinco anos é de 570 quilos por hectare”, conta o técnico da Embrapa, Jocelmo Ribeiro Mota. “Os produtores podem ainda fazer a poda da cultura e obter mais seis mil quilos em sete meses”, acrescenta.


Ele salienta que essas produtividades se devem, além das características da cultivar, ao elevado padrão tecnológico do manejo da cultura. “Utilizamos irrigação na medida certa, feita com fita gotejadora, fertirrigação, sem descuidar do manejo de pragas e doenças”, conta.

Os participantes aproveitaram a oportunidade para tirar dúvidas sobre os sistemas de irrigação ideais, o turno de rega, a necessidade hídrica da planta, custos de produção, pragas, doenças, produção e produtividade, cultivares ideais, recomendações para o preparo do solo e adubação correta, colheita e beneficiamento, mercado atual e futuro, as ameaças e perspectivas da cultura.

“Além de conhecerem de perto as vantagens da cultivar BRS Energia em condições de sequeiro e também em condições irrigadas, os agricultores se entusiasmaram com máquinas de beneficiamento e com o sistema de preparar o solo com implemento multifuncional, reduzindo significativamente os custos de implantação da cultura”, relata o técnico da Embrapa.

A aplicação de herbicidas e inseticidas e as dosagens e épocas de aplicação da fertirrigação também foram temas que chamaram a atenção do público presente ao evento.


Irecê

A Bahia é responsável por 82,5% da produção brasileira. O município de Irecê é hoje o maior polo produtor de mamona da Bahia e do Brasil, tanto em sequeiro, quanto irrigado. Na região, o cultivo da mamona é realizado, quase que exclusivamente, pela agricultura familiar, sendo conduzido em regime de sequeiro, com baixa mecanização agrícola. Em 2017 a safra baiana de mamona alcançou 12,7 mil toneladas, aumentando 22,1% em relação à safra do ano anterior. A Conab estimou em 2018, que a área cultivada em 21,1 mil hectares, uma ampliação de 20,9%.

“Apesar de já adotarem algumas tecnologias, ainda assim, muitos empreendedores desejam e precisam muito implementar novas técnicas para explorar todo o potencial da cultura”, comenta Ribeiro.

Na avaliação da equipe técnica da Embrapa Algodão, a produção de mamona em condições de sequeiro naquela região ainda pode evoluir muito com a adoção de técnicas já tradicionais, como plantio em curvas de nível, plantio direto, plantio mecanizado, uso de herbicidas, sementes de qualidade, preparo de solo adequado, adubação química balanceada.

Os consórcios de mamona precisam ser melhores planejados, com culturas mais apropriadas já que atualmente tem sido utilizado milho, que não se ajusta bem nesse tipo de consorciamento. A ricinocultura no Baixio de Irecê sofre também outras ameaças como o ataque da cigarrinha verde, de insetos coleópteros e, mais recente, do ácaro rajado.

Fonte: Embrapa