Advogado chama de "fatalidade" assassinato de jovem a facadas

A defesa de Emerson Bezzera da Silva, que confessou ter assassinado a facadas própria esposa, Daniela Eduarda Alves, afirmou, nesta quinta-feira (31), que o caso é uma “fatalidade” e que não se trata de feminicídio. O crime aconteceu no dia 14 de janeiro, na casa em que o casal morava com a filha, de apenas dois anos, em Fazenda Rio Grande.

O advogado Luiz Gustavo Janiszewski, que atua na defesa de Emerson, conversou com o apresentador do Tribuna da Massa, Eleandro Passaia, e afirmou que o homem está “arrasado”. “Ele está acabado, ele sabe... é importante lembrar, ele é réu confesso, ninguém quer passar a mão na cabeça dele, ele sabe o que fez. Agora, o que não vamos permitir é que falem demais, que é o que está acontecendo. Estão demonizando este homem”, disse.

Caracterizado como uma “fatalidade”, Janiszewski defendeu que qualquer pessoa está sujeita a cometer um crime como o que vitimou Daniela. “O crime de sangue é um crime que todo mundo pode cometer, não há como falar que está todo mundo isento”, disse. Sobre a acusação de que Emerson era violento, o advogado defendeu que não havia uma relação abusiva ou de subordinação. “Este rapaz é trabalhador, de família, não tinha superioridade com a Daniela. Eles viviam como um casal, dividiam contas, dividiam a responsabilidade de pai e mãe... agora que aconteceu esta fatalidade, vem à tona uma família de luto, mas não pode se falar o que quer da hora que quer”, criticou.

Para o advogado, é mentira dizer que o acusado era possessivo, violento ou ciumento de forma exagerada, e defendeu que o caso não se trata de um feminicídio. “Basta um olhar rápido pelas redes sociais ou pelo inquérito para ver que essa situação é inverdade. Daniela tirava foto de biquíni, tirava foto na praia. Se tivesse essa possessão toda, ele não ia nem permitir isso. Não existe feminícidio neste caso, o feminicídio pressupõe diversos requisitos como violência doméstica e de gênero. Volto a repetir, eles se respeitavam”, afirmou.

Janiszewski garantiu, ainda, que Emerson não era violento com a companheira e que a mulher não era vítima de violência doméstica. A filha do casal, porém, gravou áudios para o pai dizendo que “estava de olho” nele e que o homem não podia cortar o cabelo da mãe. “Papai, eu estou de olho em você. Pegou o pescoço da minha mãe, pai. Pai, não pode pegar o... não! Não pode cortar o cabelo, não pode pegar o cabelo da minha mãe”, disse a menina, em um áudio divulgado pela família.

Em relação aos áudios, o advogado afirmou que criança está sendo influenciada pela família materna e que o caso deve ser investigado. “Uma criança não fala isso de maneira espontânea. Estão colocando isso na cabeça da criança, como que ia gravar uma situação anterior? Eu estou muito preocupado, vou pedir uma investigação, estão induzindo essa criança a falar coisa que não viu. Isso é uma canalhice”, disse.

Laudo

O laudo feito no local do crime indicou que Daniela foi morta por diversos golpes de faca, que atingiram seus olhos, boca, nuca, pescoço, costas e mão – que chegou a ter a pele arrancada. O advogado, porém, defende que houve uma briga no local antes da mulher ser morta, e que seu cliente também ficou ferido. “O local da morte não tem responsabilidade de falar sobre o corpo, é por isso que existe o laudo de necropsia. Ela caiu em cima da mesa, pegou um caco de vidro e partiu para cima dele. Houve uma briga, sangue de ambos. Ele chegou extremamente sangrando [em casa], tanto que foi para o hospital também”.

Após o crime, Emerson fugiu para a casa dos pais com a filha e, no local, sua mãe acionou a polícia. O homem foi preso em flagrante e deve responder pelo crime de feminicídio.

 Colaboração Rede Massa